E a voz como um soluço lacerante continua a cantar
Eu sou como a garça triste
Que mora a beira do rio
As orvalhadas da noite
Me fazem tremer de frio.
Me fazem tremer de frio
Como os juncos da lagoa
Feliz da araponga errante
Que é livre, que livre voa.
Que é livre, que livre voa
Para as bandas do teu ninho
E nas braúnas à tarde
Canta longe do caminho.
Canta l longe do caminho
Por onde o vaqueiro trilha
Se quer descansar as asas
Tem a palmeira a baunilha.
Tem a palmeira a baunilha
Tem o brejo a lavadeira
Têm as campinas as flores
Tem a relva a trepadeira.
Tem a relva a trepadeira
Todos têm os seus amores
Eu não tenho mãe nem filhos
Nem irmão, nem lar, nem flores.
Do poema Tragédia no lar da obra de Castro Alves
Não senta a bunda na pedra
No meio do caminho haviam pedras, algumas grandes, outras mais ou menos e uma pedra bem grande, a certa distancia das outras pedras. O homem já bem cansado da longa caminhada suspirou e pensou, “aquela grande pedra seria um abrigo ideal para o meu cansaço, mas como chegar até ela?” Só restava o pó do pobre homem. Sentado o infeliz meditava a melhor solução para sua cruel sina. Um carvoeiro transportando seu produto num carro de boi parou e perguntou. O que acontece moço? Estou meditando, buscando uma solução para chegar até aquela grande pedra e me abrigar. O carvoeiro na sua simplicidade o aconselhou. “Não pense muito, ande na direção do seu objetivo.” E foi embora tocando seu carro de boi. Sem sair do lugar o pensador inútil continuou, ruminando seus pensamentos e olhando para a grande pedra, e em lamentações apontava o melhor caminho a seguir, por ali, não é perigoso, o outro lado, mais difícil, se eu seguir nesta direção nunca chega lá, desistindo de continuar a caminhada esperou. O cortador de lenhas cansado da labuta se aproxima do pobre pensador. Como vai seu moço? Passando bem o mal? Ou o fim já bate a porta? O moribundo nem se deu ao trabalho em responder, olhou e abaixou a cabeça. O lenhador insistiu mais uma vez. Com o traseiro ai nas pedras o moço não chaga a pedra alguma, acenou com o chapéu e seguiu em frente. Restando quase nada de forças e vontade de lutar o pobre homem já deitado nas pedras e apenas os olhos abria vagarosamente, em meio à neblina visual um vulto em movimento insistindo em dizer algo, mas não lhe restavam mais forcas para entender o que a vida lhe dizia. O tempo passou e sentado ai olhando o movimento do vai e vem da vida. A vida não perde tempo com quem não aproveita o tempo que tem.
Eu Edinho o autor deste belo texto.
Olá amigos escritores e apreciadores da boa literatura. Eu to de ferias e só volto a escrever em fevereiro, depois do carnaval.
Beijo a todos e a os amigos da Academia Guarulhense de Letras.
Meu amigo Castro gentil como de sempre, me falou sobre algumas gotas de orvalho que não caíram sobre a relva.
Pareço um tanto tolo e com cara de estudante de primeira viagem, tremendo-se todo a ponto de borrar o tecido que lhe cobre as carnes. Apenas porque enxergou uma tímida gota do orvalho teimando em se desgarrar das folhagens e mergulhar rumo ao infinito da terra, em busca do eterno povo do sol nascente. Pobre orvalho conforme-se em secar e evaporar sobre as folhas secas do outono.

Encerro mais uma temporada de 12 meses, Janeiro a Dezembro, contabilizam-se 362 dias do ano de 2011. Com saúde, as contas pagas e sem dividas para o próximo ano, é uma sensação prazerosa. E quando faço essa reflexão de todos esses dias e neles pude contar com a família, os amigos que te estenderam o braço e te ensinaram a também estender a mão ao próximo, a satisfação do dever cumprido é ainda maior.
Infelizmente para outros habitantes do planeta que foram vitimas de situações que é lamentável, vidas que se perderam por catástrofes, impostas pela fúria da natureza, ou violências das mais diversas que agrediram a nossa sociedade. Esses dias trazem lembranças dolorosas.
Mas em fim, graças ao bom e todo poderoso Pai eterno, chegamos a mais um fim de ano, e é hora de agradecer palas nossas conquistas realizadas e as que ainda faltam se realizarem, por estarmos vivos, pelos nossos familiares, amigos e aqueles que não são simpatizantes a nossa pessoa.
Nesta minha simples reflexão apenas desejo a todos que partilharam mais um ano juntos que encontrem a paz que buscam e a alegria em cada coração.
Feliz 2012
O Amor na terceira idade
Use seus óculos, certifique-se que sua companhia esteja realmente na cama. Ajuste o despertador para tocar de três em três minutos, no caso de você adormecer durante o ato. Acerte a iluminação, apagando todas as luzes. Deixe o celular programado para o número da EMERGÊNCIA MÉDICA. Escreva na sua mão o nome da presa que está na cama, no caso de não se lembrar e chamar pelo falecido. Deixe sua dentadura muito bem colada evitando assim que ela acabe parando debaixo da cama. Tenha a mão dorflex, salompas ou sabiá para o caso de você cumprir a performance. E por favor, não faca escândalos gritando como se ainda fosse virgem, nem todos os vizinhos são surdos como você. Se tudo der certo, telefone para os amigos e conte as boas novas. Nunca, jamais, pense em repetir a dose, mesmo sob efeito de Viagra, olha o coraçãozinho. Não se esqueça de usar dois travesseiros sob os joelhos, para não forçar a artrose. Lembre-se de tirar a parte de baixo do pijama, mas fique com uma camiseta para não pegar um resfriado. Por favor, não tome nenhum tipo de laxante nos dias anteriores, nunca se sabe quando se tem um acesso de tosse. Aproveite e boa diversão.



Garanhuns-PE fatoa-fato.blogspot.com
Que o tempo é toda a razão e sabedoria já sabemos.
Quantos outonos ou primaveras já se passaram?
Quantas madrugadas viajantes fadigados,
Adormeceram ao som de velhas toadas,
E o lamento saudoso de amores passados,
Amanhece e poderá ser primavera ou verão.
O tempo é soberano.
Garanhuns - PE Credito de foto: flickriver.com
Quiero ilorar porque me da la gana
Como ilora los niños del último banco
Porque yo no soy poeta, ni um hombre,
Ni uma hoja.
Pero si um pilso herido,
Que ronda lãs cosas del outro lado
Quero chorar, porque me dá vontade.
Como choram os meninos do último banco,
Porque não sou um poeta, nem um homem,
Nem uma folha.
Mas um pulso ferido que busca as coisas,
Do outro lado.
Las fuente de Granada,
I hábeis sentido,
Em la noche de estrellas perfumada,
Algo mas doloroso que su triste gemido,
Todo reposa em vago encantamento,
Em la plata fluida de la luna.
As fontes de Granada,
Ouvistes.
Na noite de estrelas perfumada,
Tudo repousa em vago encantamento,
Na prata fluida da lua.
De Fuente Vaqueros para a história,
Garcia Lorca,Foi fuzilado em
14 de julho de 1936.
Cartas de Castro
O meu amigo poeta Castro me escreveu algumas palavras dias atrás, senti um pouco de melancolia nas entrelinhas, um verso me tocou, como sempre.
-Eu não tenho ninguém que se lembre de mim
-E eu não me lembro de ninguém que se lembre
-Que eu estou aqui
-O tempo passou e eu espero que alguém
-Se lembre de um tempo
-De uma estação do ano
-Que eu amei.
2011 chegou
14 de março 2011 estamos finalmente iniciando o ano novo, com muita garra, vontade e determinação. Ainda com o sabor daquele panettone, o gorduroso pernil, aquela deliciosa farofa com tudo que sobro da ceia passada, as lembranças daquele vizinho penetra que invadiu sua casa e num dramático desabafo confessou que um infeliz carregador de galhos sobre o crânio.
O carnaval também se foi e com ele a ausência de um longo feriado. Ainda melhor que o natal. O carnaval nos permite o exagero na embriaguez, na sacanagem e uma grande vontade de libertar aquela pobre e indefesa libélula que carregamos amordaçada dentro das nossas mais intimas profundezas. Olhando para traz observamos quantos acontecimentos já marcaram esse inicio de ano. A crueldade humana e impiedosa destruindo vidas, a natureza manifestando-se implacável, sábia e mostrando o quanto o homem é miúdo e inútil diante dela.
Finalmente estamos sobrevivendo a mais um ano, aproveite enquanto é tempo.
VOCÊ
-onde anda você, que bate na porta
-onde anda você que bate na porta e eu não abro
-não abro a porta, a janela e nem o portão
-o tempo passou, eu cresci, caminhei e cai
-andei por ruas, becos, esquinas e só
-não quero mais olhares, sorrisos ou abraços
-que merda, o tempo passou e com ele se foi
-o resto de ternura que sobrou, que pena.
-fechei a janela, a porta e o portão, proteção.
Um eu
Hoje derramei minha saudade por coisas que passaram pelo meu caminho e eu guardei num arquivo feito pelo tempo, acho que estou me sentindo só e certamente estou tropeçando nos buracos que eu mesmo cavei, isso não é bom. Já que cavou seus abismos aproveite-os, são lições para que os próximos não sejam notados, derrame suas saudades por coisas saudáveis.
Hei escuta isso
Muitos acontecimentos no dia-a-dia nos chamam atenção, coisas tolas do cotidiano. Um acidente numa rodovia ou numa viela do subúrbio, e de preferência com vitimas fatais, uma matilha de lobos no asfalto, aquela mulher arrastando uma criança aos berros: fica quieto, fica quieto, fica quieto, cala a boca muleque. E a magra e infeliz criança se calou foi esmagada no asfalto. Não escutará mais o fica quieto, fica quito, fica quieto, cala boca muleque. E o trem, não parou mais naquela estação.
Eu um Som
A trilha musical da minha vida poderia ser o som da brisa numa tarde de verão a chuva fina no telhado ou o canto dos moinhos de Cervante, mas não são. A verdadeira música que embala e me transporta para cantos encantados e mágicos é o sussurro bem no meu ouvido de palavras em forma de poesia. Esse é o meu som.
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